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Índias de Alagoas enfrentam condições precárias para jogar futebol – 12/10/2019 – Esporte – Folha de S.Paulo

No mesmo estado em que nasceu Marta, única jogadora de futebol eleita seis vezes a melhor do mundo, cerca de 20 mulheres da tribo indígena Wassu-Cocal dividem uma bola surrada em um campo cheio de buracos e que fica alagado quando chove.

A maioria delas joga de tênis, porque as chuteiras estão em falta. Às vezes, pegam emprestados os equipamentos de homens. Com pinturas e adornos no corpo, as atletas são parte de uma população de aproximadamente 2.000 pessoas.

Pela primeira vez, as índias da Wassu-Cocal, que vivem nas proximidades da cidade Joaquim Gomes (a 74 km de Maceió), disputarão a Copa Rainha Marta de Futebol Feminino, que começa em novembro.

 

Aos 34 anos, Geralda dos Santos é presidente, treinadora, jogadora, agente de viagens e representante do futebol feminino da tribo.

“Quando eu ainda era menina, já tinha apoio da minha mãe para jogar bola. Sem ela saber, eu faltava aula para ir jogar com o pessoal. Está um pouco tarde para mim, mas espero que as meninas daqui tenham uma oportunidade melhor”, diz.

Geralda sempre acreditou na possibilidade ter um futuro melhor por meio do futebol. Acredita tanto que, às vezes, vai andando da própria casa até o campo para encontrar poucas jogadoras.

“É longe, mas eu volto e saio buscando as meninas, de porta em porta. Algumas faltam porque não têm condições de jogar, pela falta de material, ou são mães, apesar de novas. A gente passa por isso para encher os treinos, mas vale muito a pena”, afirma.

A média de idade do time é baixa. As mais novas estão com 14 anos, e Geralda é a mais velha do grupo.

No início, elas tinham que treinar em um campo minúsculo, porque os homens da aldeia não liberavam o campo principal.

“Não sei nem quantos jogos já perdemos porque não tínhamos transporte. Em alguns casos, não somos cobertas pela prefeitura, então temos que fazer vaquinhas entre o pessoal da tribo para conseguirmos ir jogar. Tudo começou como uma brincadeira, mas agora estamos inscritas para a Copa Rainha Marta e correndo atrás de dar condições a elas para fazerem bonito”, afirma Geralda.

São dois treinos por semana, nas tardes de terça e quinta, com um trabalho físico de meia hora seguido das atividades técnicas.

A falta de material adequado atinge principalmente as goleiras, já que impede que elas tenham treinos específicos. As integrantes da tribo só compram uma bola nova quando a outra fica sem condições de jogo.

“Acho que merecíamos mais”, lamenta Eduarda, de 15 anos. Filha de Geralda, a lateral esquerda foi uma das primeiras a jogar pelo time. No começo, os meninos e as meninas se misturavam para chegar a um número suficiente de praticantes.

“Ver a minha mãe sempre lutando para a gente conseguir crescer é muito bom. Sinto orgulho de estar no time da aldeia, de ser filha dela. Agora, quero mostrar o que eu sei fazer e mostrar meu esforço nessa Copa Rainha Marta”, diz.

Jefferson Lima é uma das pessoas que auxiliam Geralda na manutenção do time. Ele foi um dos primeiros a chegar, quando só seis meninas jogavam bola. A convite da esposa, arbitrou um dos jogos. Depois, começou a completar o time como goleiro, para garantir o rachão.

Aos 29 anos, ele fala com orgulho sobre a atividade: “Desde o primeiro dia, estou trabalhando com essas meninas. É uma alegria danada vê-las jogando bola, poder ensinar a tocar a bola, cobrar uma falta. E olha que eu não recebo nada. Faço tudo isso para ver todas felizes”.

Fonte Oficial: Folha de S.Paulo.

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